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Mano Lima, o pensador dos pampas
Com tanta banda gaúcha migrando pra “Tchê Music”, nada como Mano Lima para recordar o melhor da música gaudéria. O mestre é mais grosso que dedo destroncado; tanto, quesó deixa sua fazenda para cantar suas composições. Recheadas do mais puro gauchismo, tratam de coisas do campo em um linguajar tosco, característico da campanha, próprio do gaúcho nascido e criado no interior.
Mas chega de conversa, deixemos o “hôme” falar por si só.
Espantando Bagual
Mano Lima
(Vuvuvuvuvu)
Temo domando
Temo aprendendo
Temo ensinando
O homem é igual ao cavalo
Quando é bom já nasce pronto
Mas a vida é que dá o pealo
Para deixar de ser potro
O cavalo se ajeita no freio
E o homem na luta em que passa
Um se conhece em rodeio
E o outro na causa em que abraça
Um se conhece em rodeio
E o outro na causa em que abraça
(Vuvuvuvuvu)
Temo domando
Temo aprendendo
Temo ensinando
(Vuvuvuvuvu)
Temo domando
Temo aprendendo
Temo ensinando
O mundo é que doma o homem
E o homem é que doma o cavalo
Uns atropelam no laço
E outros já nascem domados
Não sou xucro, nem domado
Sou manso só de selim
Se me botarem no arado
Quebro a coice o balancim
Se me botarem no arado
Quebro a coice o balancim
(Vuvuvuvuvu)
Temo domando
Temo aprendendo
Temo ensinando
–
Se gostaste, conheça mais “pérolas” do mestre, lendo suas letras aqui.
09
03 2010
Leopoldo Rassier: Não podemo se entregá pros home
Como estarei em Porto Alegre no Carnaval, em uma contramão do que todo o Brasil faz no feriado, nada mais adequado postar esta pérola que encerra uma das facetas do orgulho rio-grandense: a coragem e a luta diante de qualquer obstáculo. Não tá morto quem peleia.
Mas antes uma palavra sobre Leopoldo Rassier, grande cantor gaúcho. De voz inconfundível, Rassier foi um ícone do movimento nativista, interpretando de bela maneira canções marcantes como Gaudêncio Sete Luas, Sabe Moço e Veterano, minhas preferidas. Segundo a ZH, em homenagem ao cantor na data de sua morte, em 2000, “a história da Califórnia da Canção (festival de música nativista do RS) jamais poderá ser contada sem que sejam citadas as participações de Leopoldo Rassier no evento. (…) Veterano, em 1980, no auge do movimento nativista, recebeu a Calhandra de Ouro — o prêmio máximo do festival”.
Não podemo se entregá pros home
Humberto Zanatta, Francisco Alves, Francisco Scherer
O gaúcho desde piá vai aprendendo
A ser valente não ter medo ter coragem
Em manotaços dos tempos e em bochinchos
Retempera e moldura a sua imagem
Não podemos se entregar pros home
Mas de jeito nenhum amigo e companheiro
Não tá morto quem luta e quem peleia
Pois lutar é a marca do campeiro
Com lança cavalo e no peitaço
Foi implantada a fronteira deste chão
Toscas cruzes solitárias nas coxilhas
A relembrar a valentia de tanto irmão
E apesar dos bons cavalos e dos arreios
De façanhas garruchas carreiradas
E a lo largo o tempo foi passando
Plantando novo rumo em suas pousadas
E eram cercas porteiras aramados
Veio o trator com seu ronco matraqueiro
E no tranco sem fim da evolução
Transformou a paisagem dos potreiros
E ao contemplar o agora dos seus campos
O lugar onde seu porte ainda fulgura
O velho taura dá de rédeas no seu eu
E esporeia o futuro com bravura
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